sábado, 7 de dezembro de 2013

2 – O Colecionador de vida

Era uma vez a vida: encortinada, à espera de ser sentida e não lamuriada, à espera de ser viajada, percorrida, tocada, por vezes com orgulho, por vezes com vergonha, por vezes com tristeza ou alegria, um cocktail!
Alezander gosta de percorrer o frio e sempre o foi bom a fazê-lo sozinho, embora não goste de sofrimento imediato, lembra-se que talvez isso o faça mais humano e mais ciente da existência e valor da vida, a seus olhos, o bem mais valioso. Segundo ele tens uma janela de existência e cabe-te aproveitá-la só para ti ou pensar em grande, estender a mão e prolongar ou abrir as janelas de outrem. Pensa que, por enquanto, se todos tivessem os problemas que tem o mundo reunia as condições para se aproximar ao paraíso, mas tem noção que nem sempre tudo é a cores. Pensa ser assim por não se pensar tão egoísta.
Há quem seja egocêntrico ao experienciar algo menos bom afirmando convictamente que a sua experiência é a pior do mundo e deve ser como uma injeção: “quanto mais depressa melhor”; e se o outro a puder levar por nós: “maravilha, menos algo com quem nos preocupar”!
Pois bem, Alezander desafia saborear o mal e o bem, tentar perceber melhor o incompreensível: loucura, talvez, porém compreensível perante o paladar deste colecionar de pedacinhos de vida, que como momentos se aglomeram à portinha conscientemente inconsciente do seu ego despojado da verdade absoluta do segredo da vida. Sabe que a cada passo se aproxima mais do infinito, mesmo sabendo que, até as pilhas do seu relógio têm fim e o tempo que marca não se compra!


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

1 - Uma visão interior

Meu nome é Jane dos Santos Silva e poucos são os santos olhando por mim. Talvez, por não ser a mais bela e esbelta, a mais alta, a mais inteligente… Talvez pelo descuido do Deus-Biologia que impingiu no meu genoma uma tendência a desenvolver cancros com relativa facilidade. Talvez porque luto todos os dias contra um fator interno instavelmente controlável (segundo as tecnologias e sabedorias atuais) e, a meu ver, apenas geneticamente explicável, pois ninguém o merece mesmo merecendo! Talvez porque a cada batalha ganha vejo-me forçada a compreender a verdadeira extensão da guerra! Porquê eu? Mas despachar “isto” para outro não seria egoísmo? Este é o meu testemunho, a cruz que tenho a carregar!
Segundo dizem, toda a gente vem a este mundinho material com um objetivo imaterial. Nem que seja apenas marcar um ponto, contar para a estatística ou dar, descobrir e impulsionar significado: vai desde o caso das crianças que por fome morrem, os acidentes de viação, etc., até a genialidade da teoria da relatividade, um conceito imaterial que explica a física da coisa! Tudo com significado, mas qual será o meu? Eu gostava de misturar os dois: sobressair com genialidade numa estatística crua onde tropeço na desmotivação a cada dia que passa… Se cair em desânimo aprendido aprendo a não lutar e eu odeio desaprender o que faço desde o momento em que abracei viver!


sábado, 19 de outubro de 2013

Novo Projeto [New Project]

Uma nova corrente surge. Tem como função apoderar-se do leitor e envolvê-lo em cenários e personagens fictícias criadas num mundo e visão próprios. Não abdiques de ser leitor/ator deste escritor/realizador. Fecha os olhos e saboreia a escrita, sente a dor, o objetivo, a injustiça, a alegria, o inexplicável... Cria a tua experiência com os fotogramas escritos que apresento desnudados, cada um com a sua cor de preenchimento!

[ A new trend emerges. Its function is to take hold of the reader and involve him in scenarios and fictional characters in a world created with its own vision. Do not give up of your role as reader / actor of this writer / director. Close your eyes and savor the writing, feel the pain, the goal, the injustice, the joy, the unaccountable... Build your experience with these written frames that are presented naked, each with its filling color! ]

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Olha, aquece, enlouquece!

Esse olhar louco
faz-me perder
de mim o pouco
desta vontade de conter
meu coração que de bater
bombeia meu sangue já rouco!

Alucina-me com o teu perfume
e dos teus lábios faz lume
apagando qualquer queixume
de minha fogueira que só quer arder!

Que não reste carvão
arda toda a ilusão
e vê das cinzas florescer
tudo o que há-de acontecer
dançando no fumo o prazer
deste laço a paixão.




terça-feira, 20 de agosto de 2013

E Doí... Se Doí

Doí o que sempre doeu, aquilo que não querias mas aconteceu e acabas levando o que não é teu apropriando-te do meu! Ó doce mas insípida cicatriz que quando aparece dói de uma dor que não o diz, nem bate à porta porque assim não o quis e leva consigo todas as outras de raiz desterradas por um simples e árido momento infeliz...


sábado, 13 de julho de 2013

TEU Mundo Selvagem!

É um mundo selvagem aquele em que me lançaste só com um olhar; ver-me querer pertencer a esse teu cosmos… “Loucura” diz ela!
E saber que esse mundo não pode coexistir com a realidade fragmenta meu coração em mil pedaços, qual Big-Bang, todos espalhando átomos de esperança e partículas de sentimentos que orbitam para lá do fictício.
Cometeste erros ao pensares saber o que sinto, pois sentir não apenas se sabe, saboreia-se ao jeito de cada um! E se amar é gelado será difícil juntar quem não se deleite com o mesmo sabor. O meu sabor é o da natureza, recheado com as pepitas de novos ventos que me levarão a mundos indomáveis e tão distantes quando o teu. E, assim, parte meu coração contigo indo embora, lembra-te da maldade que há por aí e da promessa que morre agora!

Estúpido quem te julgar algemada ao que agora percebo ser a tua própria liberdade…

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Procurando inferno...

Algumas vezes há que beijar Lúcifer para conhecer o inferno que há em nós… e ele arde, e ele é carnal, é real, não passou de vil jogo de regra que tombou em espiral! Será que no meio de tanta chama perdi o meu lugar? Eu vi inferno, caminhei inferno, senti inferno e sei que no meio de tanta raiva de passado, tantos erros, tanto pecar, pode haver anjo alado querendo voar e, mesmo de asas trinchadas, pode em mim reencarnar!
Adeus calor do fim, olá sol da natureza, olá lua, olá Verão, olá início, eu sou teu e tu és meu, dá-me a vontade do nada que é meu e do tudo que é teu. Respiro-te finalmente!

"Sweet dreams are made of this
Who am I to disagree?" ...